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Barriga inchada: é estufamento, retenção ou gordura?

  • Foto do escritor: Renata Farrielo
    Renata Farrielo
  • 15 de abr.
  • 4 min de leitura
Mulher com desconforto na barriga pensando: "Estou com a barriga inchada"

“Minha barriga está enorme, estou com a barriga inchada… será que eu engordei?”


Se você já pensou: "estou com a barriga inchada" ou já falou isso em voz alta, saiba que você não está sozinha. Essa é uma das frases que eu mais escuto no consultório, principalmente de pacientes que têm uma relação mais difícil com o corpo e com a comida.

E faz sentido que isso aconteça. A barriga é uma região muito sensível, que muda ao longo do dia. O problema é quando essa mudança vem acompanhada de um pensamento automático: “engordei”. Esse pensamento costuma vir carregado de angústia, culpa e até desespero.

Mas aqui vai uma informação importante (e que pode aliviar bastante esse sofrimento):

nem toda sensação de barriga inchada significa ganho de gordura.

Na verdade, existem alguns processos diferentes acontecendo no corpo, e só um deles tem relação com gordura corporal.

Vem cá entender isso melhor!

Estufamento: quando a digestão aparece

O estufamento tem a ver com o processo natural de digestão, especialmente com a formação de gases no intestino.

Alguns alimentos fermentam mais (exemplo: repolho, feijão, brócolis) e podem deixar a barriga mais “cheia”, dura ou desconfortável. Isso pode acontecer poucas horas depois de comer.


Ou seja: apareceu rápido? Muito provavelmente não é gordura.


Esse tipo de sensação costuma melhorar ao longo do dia, mas em alguns casos, pode até ser necessário usar um medicamento para gases (o seu médico e a sua nutricionista podem te ajudar a entender melhor quando é necessário)

Outro ponto importante: episódios de compulsão alimentar também podem desorganizar o funcionamento do intestino (o que chamamos de disbiose), favorecendo ainda mais a produção de gases e o desconforto abdominal.

Retenção de líquidos: quando o corpo segura água

A retenção de líquidos é outro fator comum que pode mudar a sensação no corpo, inclusive na barriga. Ela acontece quando o organismo retém mais água do que o habitual e pode variar de um dia para o outro.


Algumas causas comuns:

  • maior consumo de sal

  • pouca ingestão de água

  • alterações hormonais (como TPM ou período menstrual)


Diferente do estufamento, a retenção costuma dar uma sensação de inchaço mais geral — não só na barriga, mas também em pernas, mãos ou rosto.

E aqui vale reforçar:retenção de líquido não é gordura.


O próprio corpo costuma regular isso naturalmente ao longo de alguns dias.

Por isso, observar seu ciclo menstrual, sua hidratação e seus hábitos pode ajudar muito a entender o que está acontecendo.


Ganho de gordura: um processo mais lento

Agora, falando de gordura corporal: o ganho de gordura não acontece de forma imediata.

Ele é um processo mais lento, que envolve um excesso de energia ao longo de vários dias ou semanas. Não de uma refeição isolada ou de um final de semana.


O corpo não muda de forma tão rápida assim.

Então, quando a barriga parece diferente de um dia para o outro, ou até ao longo do mesmo dia, isso não é ganho de gordura.


O papel dos pensamentos (e por que isso importa tanto)

Muitas vezes, o que mais gera sofrimento não é a sensação na barriga em si, mas a interpretação que fazemos dela. O pensamento automático de “engordei” pode vir com muita força, principalmente em quem já tem um histórico de transtorno alimentar. E isso é compreensível.


Mas é importante lembrar:

"Pensamento não é realidade (mesmo quando parece muito real)!"

E questionar esse pensamento pode ser um passo importante para reduzir a angústia.


Um convite à observação (sem julgamento)

Em vez de reagir automaticamente, que tal começar a observar?

Quando sentir a barriga diferente, tente se perguntar:

  • Será que eu comi algo que costuma dar gases? (muita salada, muitos vegetais fibrosos como brócolis, couve-flor, repolho etc, muitas leguminosas tipo feijão, ervilha, grão de bico)

  • Estou sentindo dor, desconforto ou muitos barulhos intestinais?

  • Tive algum episódio recente de compulsão que pode ter alterado meu intestino? (compulsões com volumes grandes de comida também aumentam o bolo fecal)

  • Estou bebendo água suficiente ou bebi muito pouco nesses ultimos dias e meu corpo pode estar me protegendo retendo mais água para sobreviver bem?

  • Isso apareceu rápido demais para ser gordura?


Essas perguntas não são para te julgar, e sim para te ajudar a entender melhor o seu corpo.


Confie no processo

Se você está em acompanhamento nutricional, especialmente trabalhando questões comportamentais, é natural que esse tipo de desconforto apareça. Você está aprendendo a perceber sinais que antes passavam despercebidos, e isso faz parte do processo.


Isso não significa que você precisa gostar dessas sensações. Mas significa que você pode, aos poucos, melhorar a tolerancia a esse desconforto e se permitir entender melhor o que está acontecendo. Isso te trará menos sofrimento e te ajudará a achar caminhos de equilíbrio que vão impactar nessa sensação da barriga grande.


Anotar essas percepções, levar para a consulta e conversar sobre elas é uma das melhores formas de encontrar caminhos mais equilibrados.

E lembre-se:

"Nem o ganho de peso, nem o emagrecimento acontecem da noite para o dia."


Se esse texto fez sentido para você, talvez ele também possa ajudar alguém próximo. Compartilhe para que mais pessoas possam ter paz com a comida e com o corpo, encontrando uma vida que vale a pena ser bem vivida! E se você está buscando um acompanhamento nutricional, eu terei o prazer de caminhar com você nesse processo!

Agende uma consulta pelo whatsapp: 11-94212-3449

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